Filigrana ganha novo futuro na Póvoa de Lanhoso com inauguração de polo do CINDOR

A Póvoa de Lanhoso viveu um momento considerado histórico para o setor da ourivesaria com a inauguração da Extensão do Centro de Competências da Filigrana, um novo polo do CINDOR – Centro de Formação Profissional da Indústria de Ourivesaria e Relojoaria instalado no concelho.

A cerimónia decorreu no Theatro Club e reuniu diversas personalidades do setor da ourivesaria e da filigrana, bem como artesãos e empresários locais.

Durante a sessão, o presidente da autarquia, Frederico Castro, destacou o significado especial desta arte para o concelho.

“A filigrana, para a Póvoa de Lanhoso, é algo de muito especial e muito diferente, porque faz parte do nosso ADN”, afirmou.

Novo centro reforça formação e valorização da filigrana

O novo espaço terá uma função tripla: será Extensão do Centro de Competências da Filigrana, novo polo do CINDOR na Póvoa de Lanhoso e incluirá ainda um ponto para entrega e recolha de peças destinadas aos serviços de contrastaria.

Este serviço será assegurado pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, através da Contrastaria do Porto, permitindo aos artesãos tratar de processos de certificação sem necessidade de deslocações frequentes ao Porto.

A iniciativa resulta de uma parceria entre o Município, o CINDOR e a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal, estabelecida em 2024 e agora reforçada com a futura assinatura de um protocolo com a Casa da Moeda.

Setor institucional e empresarial marcou presença

A cerimónia contou com a presença de várias entidades ligadas à valorização da filigrana e da ourivesaria portuguesa.

Entre os convidados estiveram Paulo Mesquita, João Faria e Domingos Valente Carvalho.

Também marcaram presença representantes de entidades como a A.Certifica, a Portugal à Mão, o Grupo Valor do Tempo e a Alma do Fio, além de representantes das autarquias de Gondomar e Viana do Castelo, territórios igualmente reconhecidos pela tradição na arte da filigrana.

Cooperação entre territórios reforça setor

Na sua intervenção, Frederico Castro sublinhou a importância da cooperação entre os principais territórios da filigrana em Portugal.

Segundo o autarca, Póvoa de Lanhoso, Gondomar e Viana do Castelo formam um verdadeiro “tripé” na defesa desta arte tradicional.

“Não há nem nunca haverá concorrência entre Póvoa de Lanhoso, Gondomar e Viana do Castelo. Somos um tripé fundamental na defesa da arte da filigrana e do seu futuro”, afirmou.

O presidente destacou ainda que o novo polo permitirá aos artesãos concentrarem-se mais na criação e inovação, evitando deslocações frequentes à Contrastaria do Porto para tratar de processos de certificação.

Investimento aposta na renovação geracional

Para o presidente do CINDOR, Domingos Valente Carvalho, este novo polo representa um passo estruturante para garantir a continuidade da filigrana.

A estrutura permitirá aproximar a formação das comunidades onde a tradição está enraizada, contribuindo para assegurar a renovação geracional de artesãos e responder à crescente procura internacional por peças de filigrana portuguesa.

Filigrana como identidade cultural da Póvoa de Lanhoso

Na reta final da cerimónia, Frederico Castro reforçou o valor simbólico desta arte para o concelho.

Segundo o autarca, a filigrana representa muito mais do que uma atividade económica: é uma herança cultural profundamente ligada à história das famílias povoenses.

“Pode ser uma carreira para uns ou um negócio para outros, mas para a Póvoa de Lanhoso é algo único. Tem que ver com aquilo que faziam os nossos pais, os nossos avós e bisavós”, afirmou.

A sessão terminou com um momento musical protagonizado pelo artista povoense David Silva, seguindo-se uma visita às novas instalações localizadas no centro da vila.

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