Sentir Póvoa destaca Filigrana

Na passada sexta-feira, a Póvoa de Lanhoso brindou à Filigrana e à integração desta arte no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Numa noite em que a arte da Filigrana foi rainha, outras formas de arte contribuíram para a celebração deste momento, tendo Beatriz Torres, que cantou “Com que voz” de Amália, acompanhada por Eduardo Semanas, na Guitarra Clássica, e João Pedro Monteiro, na Guitarra Portuguesa, dado o início ao espetáculo.

Seguiu-se a intervenção de Frederico Castro, Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, que começou por agradecer a presença de representantes da Contrastaria da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, da A.Certifica, do Cindor e da Associação Portugal à Mão, importantes instituições que intervieram no processo da inscrição da Arte da Filigrana no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, bem como dos artesãos povoenses, reforçando também a sua importância em todo este percurso.

Continuou, enfatizando “a decisão do executivo, que desde 2022, quis organizar este grande evento, o “Sentir Póvoa”, que pretende sentir a Póvoa de Lanhoso. Todos os anos nós vamos querer abordar um tema que esteja diretamente relacionado com o nosso ADN, com aquilo que nós somos enquanto povo, com aquilo que fizemos ao longo da história e com aquilo que ainda queremos fazer nos anos que temos pela frente.”

Continuou, dizendo que “o tema deste ano é a Filigrana, mas para falar de filigrana é preciso recuar um pouco no tempo, e falar naquilo que foi conseguido em 2018, quando o Município da Póvoa de Lanhoso e o Município de Gondomar conseguiram dar um passo muito importante que teve a ver com a certificação da filigrana da Póvoa de Lanhoso e de Gondomar. Este foi o passo que deu legitimidade àquilo que fazemos em torno da filigrana na Póvoa de Lanhoso, mas deu-lhe, sobretudo, visibilidade, uma visibilidade acrescida que atribuiu um maior valor ao trabalho que fazem os nossos artesãos, e que nos deu a todos uma responsabilidade acrescida, pois temos vindo, todos, a trabalhar para a valorizar e elevar ainda mais. E foi dessa forma que chegámos também ao processo de inscrição da Filigrana da Póvoa de Lanhoso no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial e acho que é muito importante que todos tenhamos a noção da relevância que tem a filigrana da Póvoa de Lanhoso ser assim reconhecida”.

O edil povoense terminou o seu discurso realçando ainda o conteúdo da portaria que atribui tão alto epíteto à filigrana povoense, partilhando com os presentes o texto que remete para a sua importância histórica, cultural e económica e os processos sociais e culturais relacionados com as dinâmicas de transmissibilidade ao longo de gerações de artesãos filigraneiros: “Isto significa duas coisas: uma delas é que somos todos dignos herdeiros do trabalho que foi desenvolvido durante muitos e muitos anos na nossa terra e, como herdeiros deste património histórico, estamos a deixar uma marca que vai perpetuar para as gerações vindouras, a filigrana na Póvoa de Lanhoso, em Portugal e no Mundo”.

O espetáculo continuou com a entrada em palco do Rancho Folclórico da Póvoa de Lanhoso. Com o peito das cantadeiras cobertos das mais brilhantes peças de Filigrana, foram apresentadas duas danças que encheram o palco e aqueceram o coração de todos/as que acorreram em grande número ao Parque do Pontido, emoldurando aquele anfiteatro.

Cumprindo o guião, Diogo Marinho apresentou “Filum”, uma performance pensada e baseada na filigrana e, num momento posterior do espetáculo, este jovem ator e autor povoense presenteou de novo a assistência com a declamação do poema “Filigrana”, de Rogério Beça.

Alinhado com outros eventos, também este Sentir Póvoa deu espaço à “moda de ouro”, com um desfile em que as modelos apresentaram várias peças de filigrana, em ouro e em prata, apresentado nesta montra o que de mais bonito e grandioso se faz nas nossas oficinas.

Danny Leite, outro filho da terra, brindou todos e todas com a grandiosidade da sua voz, apresentando duas árias de ópera, uma do “Il Barbiere di Siviglia” (1816), e a outra,  “Tannhäuser” (1845), de Richard Wagner.

Após a interpretação do tema “Ó Gente da Minha Terra”, pela fadista povoense, todos e todas os/as que participaram na realização deste Sentir Póvoa subiram ao palco para receber os merecidos aplausos de uma assistência que se deixou arrebatar durante duas horas por um espetáculo diferente e extasiante. A noite não terminou sem a animada atuação dos DJ Kardo e Eazy.

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